terça-feira, 28 de outubro de 2008

O romance de um Eu ainda vivo


O que será isso?
Meu peito arde em alegria
Minhas idéias caem lentas e previsíveis como a queima de um pavio

Estou em desespero? Estou!
Por que minhas mãos não me obedecem?
Trêmulas e tomadas pela agonia
Explodo em alegria, mas não consigo sorrir
Pois então, estes olhos me dominam
Como és bela

Aqui e agora, tantos olhos, tanto barulho
Na algazarra dos que comemoram com a embriaguês
O mundo para de repente
Não há mais nada entre nós
Eu e ela e mais nada
Meu olhar nervoso e o teu sorriso cortês
Nenhum barulho, apenas a melodia de tua voz

Deixo-te falar, ouço quieto a delicadeza daqueles sons
E o pavio chega ao fim
Explode em meu peito o desejo de amar-te
Porém, tua timidez me impede, ou talvez outra coisa
Proponho uma solução:
- Vamos, o mundo é vasto e amplo, não vamo-nos deter aqui.
E deixamos ,então, a alegria da ocasião para encontrar a nossa

Ao cansar da fuga, nossos corpos molhados e as bocas secas
O silêncio grita o pedido:
- Vitalize o rubor destes dois amantes que também queres amar os teus.
Doce, suave, puro e verdadeiro. És um presente de Deus
Prometo que te amarei, mas se não queres minha promessa, ora essa
Sinta o meu peito pois então,
Caia sobre mim onde eu me deito que te vou provar
Ela insiste no aconchego do seu lar. Pergunto se é seguro
Teu sorriso e teu olhar focado incitam afirmação
Caminhamos pela noite e chegamos ao destino
Já na escura madrugada, deita-se comigo, torna-se minha amada

Amamo-nos como nunca antes
Em teus olhos claros e brilhantes, assim como nos meus, reluz a verdade de sinceros amantes
A magia ocorre por longo período
Teu colo se ruboriza ao leve toque de minhas mãos curiosas que se atrevem à carícia
Sinto o teu peito, sinto-o pulsar e sinto-te por inteira
Um sentir de carinho e sem malícia, de toque suave, porém ainda sem perícia
E em meio ao entrelaço de nossos corpos já cansados, no escuro
Um primeiro “ eu te amo” surge tímido
E então pousa leve a quietude do descansar em meus braços seguros

A noite se vai cedo, a luz invade meus olhos
Viro-me para o lado e ,antes que meus lábios pudessem tocá-la,
Abrem-se teus olhos tímidos e semi-lúcidos e do olhar nasce um novo sorriso.
Levanto-me com firmeza e já revigorado
Sinto a leveza de seu toque em meu braço e o tom indignado:
- Já vai partir? Mal amanheceu! Fique pra sempre, como ontem me prometeu!
- Ainda não é hora, assim corremos perigo. Confie em mim, veremo-nos ainda esta noite se quiseres mesmo ficar comigo, e assim como dizes, seremos então, loucamente felizes.
- Promete?
- Do fundo da minha alma e do meu coração, ou malditos sejam ambos.
Sem muita explicação, eu parto rumo ao dia novo e igualmente cruel.

O sol percorre seu longo caminho pelo céu, e quando a noite anuncia o fim do dia
Meu peito avança, por instinto, rumo ao oceano da alegria de um amor tão belo.
Assim como o esperado, lá estava ela, ainda mais bela
Beijo-te com carinho e pureza e liberto-me com as palavras da incerteza que morava em mim:
- Vou contigo por todo o fim! E que a chama que acendeste em mim queime eternamente por ti.

Uma sombria paz ilumina o acontecer, e mais uma vez presencio o amanhecer.


Maurício Tovar Júnior

2 comentários:

Anna disse...

Lindo. Muito lindo. Adoro a sua maneira de escrever, romântico e inteligente.

=*

anna disse...

aaaih não me canso de ler!

;@