quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Nunca é Tarde


Eu te amei, desesperadamente te amei
Esse amor solitário
Que por tantos e tantos anos alimentei
Acabou virando um cenário
Para tantos outros que provei

Se depois de tantos beijos
Tantos carinhos que te vi trocar
Você ainda faz parte dos meus desejos,
Ainda assim te quero amar

Mas o orgulho me fez deixar
Desviou-me de ti, me fez seguir em frente
E com um brilho a menos no olhar
Segui a vida, alegre, e tão quanto descontente


Por traz da alegria, escondo o meu sofrer
Seguro a lágrima, sofro sem fazer alarde
Mas a verdade é que ainda penso em você
E não venha me dizer que agora já é tarde



Maurício Tovar Junior
;*

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pai





Pai, Se tu sabes o porquê,não me abandone agora
Se realmente me ama, me vê e me sente,
Dê-me a sua mão, dê-me uma parcela de sua força,
Faz de mim a tua obra, expulsa de mim este fatal adormecimento,
Use o meu sangue,se preciso,todo ele, mas suplico a ti, Ó pai onisciente
Não me deixe aqui,como apenas instrumento

Pai, Tu és a resposta, tu és o caminho,
Tu sabes por onde ando, por que me toma, essa imensa solidão?
Por que ainda me sinto tão sozinho?
Mesmo cercado por toda essa multidão.
Tu me abandonaste, Pai?
Ou abandonaste o resto do mundo?
Por que ainda sinto-me estranho, se somos todos irmãos?

Pai, perdoe profundamente o desacordo de meu ego,
Tu és tão grande, e eu ,tão pequeno, ainda o julgo.
Traga à tona o meu Real ser
Faça-me valer a cruz que eu carrego,
Tire o meu véu, tire-me o "mundo",tire-me o "vulgo".

Pai, na consciência que tu me deste aqui e agora
Espero o fim da quinta raça,
Com o orgulho de ti,o orgulho de mim,e o amor pelo mundo
Que no fim desse tempo, eu possa respirar o ar da graça
E me afastar, de uma vez por todas, da maleficência do ego
Que afunda a consciência de tantos, no eterno sono profundo.

Pai, não uso palavras para falar contigo
Pois eu sou você,
Mas o faço, pois o que a mente não projeta
O teu olho não vê.

Maurício Tovar Júnior

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A Rosa meditativa


No seu canto sombreado
paira o seu doce perfume
e junto ao amor despedaçado
a tristeza do acaso nos une.

Uma criança meiga e doce,
um garoto perdido e sensível.
Nossos caminhos se cruzam como se fosse
um empurrão do mestre invisível.

Meu coração se esmaga em dor
por ver os seus olhos opacos,
sem o brilho herdado do amor
que lhe negaram os fracos

Mas diante de todo o mal
eu venho lhe dar esperança,
compenso a realidade brutal
que encobre essa pobre criança

Então, mestre invisível, onde está o amor?
Exija de mim o que for preciso
mas lhe peço, por favor,
traga-lhe de volta o sorriso.

Eu sei que ela sabe,
ela sabe que eu também sei

Eu sei que ela viu
e ela sabe que eu também via
que a vida nos uniu
numa mágica telepatia.

Logo retornarei,
e me domina a expectativa
de que lá reencontrarei
a meiga rosa meditativa.


Maurício Tovar Junior