quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Talvez, quem sabe...



Talvez eu tenha falhado

por querer estar sozinho
e também querer-te ao meu lado,
pois tenho medo deste caminho

Talvez apenas me deixei cair
num mar de paixões sob as estrelas
pra novamente, me fazer sorrir
quebrar contigo, minhas próprias barreiras

Talvez depois tanto mal feito
Eu já não sabia amar direito..
Te pus numa roda da fortuna
desmantelada e inoportuna

Incoerência de pensamentos e ações sem nexo
Caminhando desatento...
Tempo fechado pra puro sentimento
e nublado pelo sexo.

Mas nem sempre a gente resiste
porque a razão é refém do peito
...eu nem durmi direito
Pensando se aqui, o amor ainda existe.

Quem sabe um dia eu consiga
desfazer todo esse dessabor
E talvez um dia novamente eu diga...
que por ti, senti de novo, um novo amor.

Maurício Tovar Junior

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mulher



Não quero correntes
Não preciso do orgulho
de corações carentes
nem de muito barulho

Não quero forjar aparência
Não preciso de aprovação
pra mostrar decência
se teus olhos atônitos te convencem que é em vão.

Não quero ser pra você, o melhor
Nem preciso de mais meios
pra fazer do seu suor
uma nascente entre seus seios

Não quero, não preciso...
Porém venero um bom sorriso

Sou carne viva e pulsante
Pistola engatilhada,
Que dispara na madrugada
E onde há espaço pra um amante.

Sou coração errante
Até que um dia Ela não erre
Sou semente infante
Até que um dia Ela me enterre

Sou charada
Mistérios que eu mesmo desconheço
Mas comigo serás Respeitada
Com o mais profundo apreço


Maurício Tovar Junior



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Trajetória


Já fui escravo da tormenta
No calar de uma noite escura
Onde o cão sarnento lamenta
a tigreza que o tortura.

Já fui senhor da ternura
quando o sol nasceu mais cedo
Que as raízes da loucura
E desvelou no peito, o seu segredo

Já fui luva sem dedo,
Camisa sem manga e nem gola
Ja fui navalha cega e torto espeto,
Epidemia que não assola

Fui mercante, príncipe e até Rei,
vi o mundo completar 23 voltas
enquanto a rocha desgastava minhas botas
provando o quanto já caminhei

Quando o tempo pára e o silêncio vem
Já não tenho mais algemas,
Me fiz perito em alguns temas
E de outros, ainda sou refém

Sou a neblina sorrateira
Que flui sagaz, pelo dia e pela madrugada,
Livre no vento, e na fugaz trincheira
No cume, no fosso e na alvorada

A vida é um texto torto,
Mas está dentro do contexto.
Resiliência nunca me fez um peso morto
Por isso sigo meu pretexto.

Maurício Tovar Junior