segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Trajetória


Já fui escravo da tormenta
No calar de uma noite escura
Onde o cão sarnento lamenta
a tigreza que o tortura.

Já fui senhor da ternura
quando o sol nasceu mais cedo
Que as raízes da loucura
E desvelou no peito, o seu segredo

Já fui luva sem dedo,
Camisa sem manga e nem gola
Ja fui navalha cega e torto espeto,
Epidemia que não assola

Fui mercante, príncipe e até Rei,
vi o mundo completar 23 voltas
enquanto a rocha desgastava minhas botas
provando o quanto já caminhei

Quando o tempo pára e o silêncio vem
Já não tenho mais algemas,
Me fiz perito em alguns temas
E de outros, ainda sou refém

Sou a neblina sorrateira
Que flui sagaz, pelo dia e pela madrugada,
Livre no vento, e na fugaz trincheira
No cume, no fosso e na alvorada

A vida é um texto torto,
Mas está dentro do contexto.
Resiliência nunca me fez um peso morto
Por isso sigo meu pretexto.

Maurício Tovar Junior

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