sábado, 28 de setembro de 2013

Tabaco


No covil dos trêmulos anseios
cativa o vício e aceitação
porque já não há outros meios
pra frear a pulsação.

Ele é o dono das vitrines lícitas
Com falso charme
Mais veloz que o tempo, consome a carne
devora os sentidos, como se já não fosse implícito

Ah, mas pra qualquer dia amargo
é fiel e lúcido "amigo",
Cada espasmo se vai num trago
e a cada trago, um minuto perdido

Maldito e pegajoso patrão
que sequer ordena
pois se auto-condena
quem assume essa função.









Do primeiro contato fez-se o pacto
E da união, fez-se impacto

Logo cedo fez-se o medo
E junto dele, o segredo

Quando já não mais...fez-se o pranto
E sem a paz, morreu o encanto.


Do amor, fez-se apenas a dó
E do antigo laço, fez-se um nó

E quando o sentimento se fez ação
Se fez necessária a retaliação

Quando já não mais...fez-se harmonia
E sem a guerra, renasceu a alegria.

Projeção

 
 
Ora, se seria eu tudo isso que presume...
Se tampouco sou ameno,
Pois bebeu fácil do meu veneno
e ainda ontem brotou em ti, semente de ciúme

Se fosse eu, a exatidão de teu preceito
Ainda que fosse eu, algo próximo de teu pensar pueril
Te vi acordar sobre meu despido peito
Com um sorrir sonolento que só você não viu

...Conceito vil

Ainda que eu fosse um caso desse
Por que teria então, uma joia tão rara
Se entregado ao interesse
de se pôr frente ao alvo em que minh'aura dispara?

És tú, o próprio feito que queres ver em meu rosto
O próprio fel que não queres sentir o gosto

Sou apenas consequência do "acaso"
Folha que bóia em teu mar tão raso.

Deixe fluir inerte o teu solstício
E não me faça tanto sacrifício

Não pragueje mais de três vezes pela rua
Nem me sufoque com tanto lençol
Tente apenas refletir...como a lua
E talvez eu possa ser tua fonte...teu sol.

Maurício Tovar Junior

A Leoa

 
Estava sempre por perto
mas cuidando pra que eu talvez não a visse
com um objetivo já certo
e aquele sorriso largo, como o do gato de Alice

Deixou pistas fáceis de se desvendar
Como se ja soubesse claro
o despudor de meu faro
quando pretendo amar.

Veio precisa como uma flecha
Me cercando na esquina,
sem deixar nenhuma brecha...
Lambeu-me o rosto com sua tara felina!

Fez-me a caça de seu bando opressor.
Ahh se tivesse em cada selva, tal lição...
Não tivera refúgio ou guarnição
nem "rei da selva" que pudesse se impor.

Me restara o sorridente rendimento
Fiz de mim tigre domado...
Com marcas leves de um bote consumado
Sem orgulho, sem pompa galante...Sem arrependimento!

Maurício Tovar junior

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ferida que não sarah




Ainda lembro do seu cheiro,
Do seu jeito risonho,
De estar ao teu lado o dia inteiro,
Te encontrar de novo nos meus sonhos

Lembro de uma linda união,
De um amor latente,
E tua presença no meu coração
Me dava a força pra seguir em frente

Estávamos sempre juntos,
Nada nos separava,
E sobre todos os assuntos
A ti, os confiava

O destino dos passos
Que não soubemos dar
Definhou nossos laços
E já não há o que partilhar.

Como em um enterro,
Agora sinto o quanto é triste,
Lidar eternamente com um erro
Quando a solução não existe

No meio da noite meu coração dispara...
O tempo passa....mas a memória não,
essa ferida que não sara
Que ainda sangra meu coração



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Trauma


Do início, construiu-se o triste fim
E das ferroadas eternizaram-se as chagas
Consumiu-me os pulsos, o fígado e o rim
No mergulho sem fôlego entre memórias e mágoas.

Sem sentido de viver, ou qualquer lágrima cativa
Por que hei de temer ou me preocupar?
O amanhã é denso e sem qualquer expectativa
Sem relógio ou calendário, num mundo sem lugar.

Encheu-se o poço da confusão
por escarros e outros dejetos
de almas vis e sem sobriedade na condução,
...cacos mentais por todo o trajeto.

Retrai, retorce e agoniza
E tal passado, nenhum futuro desfaz
Que me deixe só, com qualquer artifício fugaz
Lucidez já não há, e qualquer trago suaviza.

Um novo amalgama de egos, doentio e fatal
Perturbado e sem qualquer senso de norte
Não resta eixo, nem fagulha qualquer de origem racional

Enquanto resiste, apenas solitude,
Quando não mais....a suplicada morte.




Maurício Tovar Junior